XADREZ DO ESTADO PODE DAR
AO BRASIL TÍTULO INÉDITO

Jornalista Marcia Quartiero - Florianópolis

Pela primeira vez, Santa Catarina terá seis representantes na equipe brasileira - formada por 11 jogadores - que participará do mundial de xadrez nas categorias até 18 anos. Eles tentarão conquistar de 10 a 24 de outubro, na cidade de Oropesa del Mar, Espanha, um título inédito para o país. Até hoje, o Brasil nunca chegou em primeiro lugar em nenhuma categoria em um campeonato mundial.

O Estado estará representado por dois atletas de Florianópolis, Kaiser Luiz Mafra, de 18 anos, que disputa na categoria sub-18, e Ricardo Bedin França, de 15 anos, na sub-16. Junto com eles, estarão Alexandr Fier, de Jaraguá do Sul (sub-12), Marciane Prior, de Concórdia (sub-18), Vanessa Feliciano, de Rio do Sul (sub-10), e Diego Pretto, de Chapecó (sub-14).

O desempenho dos enxadristas catarinenses, na fase de classificação para o mundial, recebeu elogios da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), que no seu site, na Internet, parabenizou o Estado pelo "excelente resultado técnico, que demonstra a recuperação do xadrez em Santa Catarina". Até este ano, o Estado nunca tinha classificado mais do que dois jogadores para um mundial.

Para o vice-presidente da Federação Catarinense de Xadrez (FCX), Gilson Luís Chrestani, a forte presença catarinense deve-se ao trabalho realizado pelos técnicos dos seis enxadristas e, também, às competições de nível nacional que a entidade vem conseguindo atrair, como o Brasileiro Sub-16, realizado em março, no município de Jaraguá do Sul.

Na formação dos atletas, observa Chrestani, tiveram um papel importante os Circuitos de Xadrez Rápido, promovidos há 12 anos pelo Clube de Xadrez de Florianópolis e estendido pela FCX a todo o Estado nos últimos dois anos. Segundo ele, foram nesses torneios que enxadristas então iniciantes - como Ricardo França - tiveram a oportunidade de disputar, e assim aprender, com jogadores do mais alto nível técnico, geralmente campeões em sua modalidade. Hoje, Ricardo França é vice-campeão brasileiro na categoria sub-16 (que inclui jogadores com até 16 anos) e Kaiser Mafra, atual bicampeão brasileiro juvenil.

As esperanças de um título mundial estão concentradas em dois jogadores: Alexandr Fier, de 11 anos - campeão pan-americano na categoria sub-12 e atual campeão brasileiro na sub-12 e sub-16 - e em Vanessa Feliciano, de 10 anos, campeã brasileira na categoria sub-10.

Como os surfistas e os skeitistas, os garotos aficcionados pelo xadrez formam uma tribo com características bem próprias. Um pouco mais sisudos do que os seus colegas, eles não se distinguem pelas tatuagens, uso de piecing ou roupas largas. A maneira de vestir, na maioria das vezes, beira o convencional. O que os une - além do gosto pelo tabuleiro e a leitura de livros sobre partidas disputadas por campeões como Bob Fischer e Kasparov - é a forte queda por computadores, usados em grande parte para jogar xadrez via Internet.

A atração pela informática é visível na escolha profissional de cada um deles. O atual bi-campeão brasileiro juvenil, Kaiser Luiz Mafra, por exemplo, vai prestar vestibular este ano para o curso de Ciências da Computação. Ricardo Bedin França - que freqüenta o 2º ano do ensino médio, no Colégio Coração de Jesus, em Florianópolis - optou pela Engenharia de Automação. A escolha, de acordo com ele, deve-se ao fato de que esse é um curso "difícil, que mexe com tecnologia".

Os dois, porém, contradizem o estereótipo que retrata o enxadrista como um ser sedentário, que se limita a fazer exercícios mentais. Os hobbies de Kaiser - que começou a jogar xadrez com sete anos - são o futebol e a natação. Já França prefere praticar o taekwon-do.

Nota: Matéria com conteúdo semelhante ao artigo acima foi publicado em alguns Jornais do Estado, tais como: ANotícia de Joinville 02/08/00;
Diário da Manhã de Chapecó de 28/07/00;
Correio Lageano de Lages de 26/07/00;

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Ricardo Bedin França  e Kaiser Luís Mafra
(ambos do Clube de Xadrez de Florianópolis e atletas da FME de Florianópolis)