Por
Consolação Resende (Betim-MG)
Muito
se tem falado sobre os benefícios do xadrez para a aprendizagem das crianças.
Durante o campeonato Panamericano de Xadrez, que aconteceu em Santa Cruz de
Bogotá, na Colômbia, entre os dias 23 e 29 de Julho último, o seminário
Educação, Desenvolvimento de Talentos e Construções de Valores através do
Xadrez (Educacion, Desarollo de Talentos y Construciones de Valores a través
del Ajedrez), o tema voltou a ser abordado por professores, técnicos e
treinadores deste esporte, bem como pais de família.
Uma
das palestrantes do seminário, a colombiana mestre internacional de xadrez,
Adriana Salazar Varón, afirmou que “ensinar xadrez é repassar valores éticos
e potencializar habilidades”. Para esta colombiana, o xadrez pode e deve ser
ensinado às crianças a partir dos três anos de idade. Salazar Varón, que foi
um dos pontos altos do evento, abordou dois temas: Modelo Pegagógico para
Ensino de Xadrez e Fantasia do Xadrez. Reconhecida por ser uma expoente no
ensino de xadrez, a colombiana é autora do livro Jogam os Mestres e Ganham as
Crianças (Juega el Maestro y Ganan los Niños),
uma verdadeira antologia didática composta por sete livros, um destinado
ao professor e seis cartilhas para os alunos. Ela é também proprietária de
centros escolares de xadrez na Colômbia e Espanha.
De
acordo com a mestre internacional de xadrez, o ensino deste esporte para crianças
é um ótimo recurso para desenvolver habilidades mentais, "inculcar"
valores e desenvolver habilidades, pois este jogo vai trabalhar a atenção, a
imaginação, a projeção, a recordação, o pensamento obtido, a percepção
de mundo, o planejamento, o rigor mental, a análise sistemática e a também a
matemática. Assim, a criança vai
mais que aprender, ela vai apreender habilidades mentais, como tomar decisões
no momento certo, ter um pensamento crítico acerca dos fatos, calcular
(habilidade importante para o ensino da matemática). Também vai permitir que a
criança visualize, modifique e reafirme o
pensamento, ou seja, o xadrez facilita a relação do enxadrista com o mundo
abstrato.
Salazar
ainda lembrou em suas palestras que com ao jogar xadrez, meninos e meninos
aprendem a partir dos erros. Isso
permite que a criança tenha um pensamento hipotético, ou seja, ela vai
analisar o fato partindo de suposições e criando hipóteses. Além deste
aspecto, ele lembrou a capacidade de memorização, de codificar e de
decodificar, habilidades que permitem o desenvolvimento de um pensamento mais
criativo.
Quando
aos valores que este jogo estimula na vida de meninos e meninos, ela citou
respeito, responsabilidade, acatar normas, cortesia, aprender a ganhar
perder , humildade, perserverança, disciplina, tenacidade, auto-estima,
paciência, autocontrole, tolerância, amistosidade e uma boa relação entre
pais e filhos.
Salazar
demonstrou com exemplos que o xadrez pode trabalhar as seguintes áreas:
recreativa, desportiva, intelectual, cultural, ética e emocional. Na
recreativa, a palestrante lembrou que o xadrez é um jogo e deve ser mostrado de
forma lúdica, divertida e mágica, características que fazem parte da vida das
crianças.
A
desportiva, segundo Salazar Váron, pode
ser observada através do respeito ao adversário, da pontualidade, da
auto-estima que permite que o enxadrista acredite em si próprio. Ainda nesta área,
o xadrez pode funcionar como uma terapia, uma vez que uma pessoa que tem uma
vida muito ativa pode descarregar o estresse e a energia acumulada jogando uma
partida de xadrez.
Já
na parte ética, a mestre internacional lembrou todos os valores que foram
citados acima. “Trata-se de um jogo que trabalha a aquisição e a consolidação
de valores éticos”, relembrou.
O
intelectual, talvez o aspecto mais abordado por teóricos que acreditam no
xadrez como ferramenta de desenvolvimento infantil, este jogo ajuda a criança a
memorizar, ter atenção e concentração,
calcular e sintetizar, habilidades importantes no ensino formal de
qualquer jovem e em qualquer parte do mundo.
O
lado emocional não foi esquecido por Salazar Váron, que lembrou que quem joga
xadrez aprende a ter autonomia, autodisciplina, autocontrole, tenacidade e também
a si controlar melhor.
No
aspecto cultural, a colombiana lembrou diversos enxadristas que são famosos em
todo o mundo e nas mais diversas áreas.
Assim ela demonstrou que o xadrez
tem relação com diversos expoentes da cultura mundial.
O
seminário, que aconteceu nos dois primeiros dias do Festival Panamericano de
Xadrez , também contou com outras importantes palestras, como A magia do
conhecimento do xadrez, Esquema para treinamentos de alto nível, influência do
xadrez no cotidiano das crianças, O xadrez escolar - da teoria e a prática,
Xadrez e Razão, Influência do xadrez no cotidiano das, O xadrez como formador
de valores, dentre outros temas.
O chefe da delegação brasileira de xadrez, que participou deste Seminário, Gilson Chrestani, afirmou que "o xadrez é, de fato, uma ferramenta muito útil para o desenvolvimento da pessoa como cidadão e ser humano e que ao ensinar xadrez não devemos ter como meta imediatista criar futuros campeões".